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Uma das primeiras formações do Grupo de Montemor, com Simão Malta a cabo.


Joaquim José Capoulas e alguns dos elementos do seu tempo.


António José Zuzarte e uma das formações dos anos 70


João Cortes e o seu Grupo na Praça de Touros de Montemor


Paulo Vacas de Carvalho acompanhado pela sua geração.


Rodrigo Corrêa de Sá e uma das últimas formações do Grupo de Montemor.

Considera-se que a primeira apresentação do Grupo de Forcados Amadores de Montemor teve lugar no dia 4 de Setembro de 1939 na praça de toiros da vila de Montemor-o-Novo.

Numa garraiada a favor do asilo Montemorense reuniram-se para pegar os novilhos um grupo de jovens forcados: como cabo Simão Malta acompanhado por Feliciano Reis, João Manuel Malta, José Antas Joaquim Capela, Francisco de Castro e Cipriano Palhinha. É a estes jovens que nós devemos a origem da instituição que é hoje o Grupo de Montemor.

Foi nessa tarde de 1939, que se iniciou algo que se mantém bem vivo nos nossos dias. Com a aficion desse punhado de bravos formou-se um grande Grupo de Forcados e um verdadeiro Grupo de amigos.

Daí para cá, nestes anos que já passaram já envergaram a sua jaqueta rubra mais de 320 elementos, tendo o Grupo participado em espectáculos em todos os continentes, honrando a sua cidade, o Alentejo imenso onde estão inseridos e por diversas vezes o seu próprio país.

É a Simão Malta, o primeiro cabo, que se ficou a dever a oportunidade de tantos se conhecerem, cimentarem amizades profundas, viverem momentos grandiosos nas arenas e fora delas, tendo desde logo conseguido dar ao Grupo uma projecção nacional.

Simão Malta deixou o comando no final da temporada de 1945, tendo passado o testemunho a Manuel de Sousa Nunes que, de 16 de Junho 1946 até ao final de 1948 permaneceu à frente dos montemorenses. Em 1949 e 1950 Simão Malta voltou de novo a dirigir o Grupo, ele que, mesmo no tempo de Sousa Nunes, continuou sempre a pegar.

Seguiu-se um interregno de quatro temporadas 1951, 52, 53 e 54 em que apenas actuou numa corrida em 1952 numa tentativa de continuação do Grupo. Mas só em 1955 em 10 de Abril, de novo em Montemor, o Grupo reapareceu sob o comando de Américo Chinita de Mira que foi seu cabo nessa temporada, tendo abandonado o Grupo e a sua chefia em 3 de Setembro de 1956 na mesma praça.

Na corrida seguinte, em 7 de Outubro, na praça de Évora assumiu o Grupo Joaquim José Capoulas. A sua liderança manteve-se por mais de 14 anos, até ao final de 1970.

Em 4 de Abril de 1971, na praça de Beja, António José Zuzarte foi o novo cabo, dirigindo os destinos dos montemorenses até ao dia 2 de Setembro de 1979, onde na praça de Montemor e depois de pegar um toiro de cernelha com Simão Comenda, despiu a jaqueta e entregou-a a João Eduardo Cortes que, nessa mesma noite, comandou o Grupo pela primeira vez, na praça de toiros de Estremoz, a terra que o viu nascer.

Manteve-se João Cortes no comando do Grupo até 2 de Setembro de 1984, onde na mesma arena de Montemor, passou, por sua vez, a jaqueta ao novo cabo, Paulo Vacas de Carvalho.

A tradição da passagem de testemunho, na arena dourada de Montemor-o-Novo, continuou e assim tem sido até aos dias de hoje. Paulo Vacas de Carvalho, em 7 de Setembro de 1997, passou de novo a chefia a Rodrigo Corrêa de Sá, o 8º Cabo de Montemor que comandou os destinos do Grupo por 10 anos.

Em Setembro de 2007 José Maria Cortes assume o comando dos Montemorenses que capitaneou até 2013. A 27 de Junho desse ano o Zé Maria perde a vida de forma trágica que abalou toda a Tauromaquia e a Família de Montemor. Cresceu e viveu entre nós, aprendeu a ser Forcado e foi o melhor. O seu à vontade, a forma como citava o toiro, a confiança que transmitia e a liderança que impôs fizeram do Zé Maria, O Forcado de Montemor. Sempre o lembrare-mos.

António Vacas de Carvalho veste de forma emotiva e transmitida por João Cortes a jaqueta de Cabo no dia 1 de Setembro de 2013. É hoje o 10 Cabo da história do Grupo de Montemor e o responsável por manter bem vivo este ambiente singular e inesquecível.

Tendo como Madrinha a Nossa Sra. da Visitação, padroeira da cidade, estes dez cabos tiveram sempre sob sua chefia, jovens valorosos que, com a sua arte, valentia, espírito de entreajuda, sacrifícios sem limite e uma sã amizade, contribuíram para dar continuidade ao Grupo e colocá-lo na primeira fila dos Forcados Portugueses.

Arriscando a vida, sofrendo algumas colhidas bastante graves, que deixaram marcas, mas que tornam o espírito uníco e que fazem com que exista um nunca mais acabar de parentescos a envergarem a jaqueta do Grupo. Mesmos sem os laços de sangue, a amizade profunda que liga aqueles que algum dia, fizeram parte desta comunidade de bravos, estará presente para sempre.

Quem não recorda momentos grandes passados nas arenas de Portugal, Espanha, França, Macau, México, Estados Unidos da América, Canadá, Indonésia, Grécia, por esse mundo fora onde a jaqueta das ramagens de Montemor foi sempre dignificada com honra e glória, quer em actuações do Grupo ou dos seus elementos integrados em selecções de forcados.

Alguns já partiram, mas entre nós eles estão sempre presentes, pelos seus feitos na arena, pelas vivências fora dela, pela imensa saudade dos grandes momentos que vivemos em comunhão. As estradas, o mar, a guerra, levaram alguns dos mais jovens, a doença levou outros. Felizmente nenhum morreu na arena.

O perigo não está só lá, frente ao Toiro. Mas é sempre ele, um animal nobre que admiramos e respeitamos. Sem ele, a Festa já tinha terminado.

com o apoio de