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Corrida em Montemor: tarde de condecoração, festa e compromisso!

 

O meu amigo e cabo António Vacas de Carvalho voltou a pedir-me para escrever umas palavras, em jeito de crónica, para o site do “nosso” Grupo. A um amigo (e muito mais quando é o cabo) não se pode negar um pedido e, por isso mesmo, aqui estou eu com responsabilidade acrescida: escrever a crónica da corrida de Setembro em Montemorque é, tradicionalmente, a corrida do Grupo de Forcados Amadores de Montemor-o-Novo!

Como manda a tradição, na tarde do primeiro Domingo de Setembro junta-se esta grande família alentejana, cruzandoas diferentes gerações do grupo, num convívio impar. Este ano, a festa da família montemorense teve ainda maior simbolismo, pois antes do início da corrida foi efectuada a cerimónia de entrega das insígnias ao nosso cabo, António Vacas de Carvalho, da Ordem Honorífica, Grau do Oficial da Ordem do Mérito, atribuída pelo Presidente da República, acto efectuado pelo Chanceler das Ordens de Mérito Civil, Professor Doutor Luís Valente de Oliveira.Condecoração atribuída pela passagem dos 75 anos do Grupo, celebrados durante o ano de 2014.

Foi uma cerimónia de grande solenidade, revestida de enorme dignidade e quero aqui realçar as palavras do António que, com grande humildade, agradeceu a Honra da condecoração, a presença do Professor Valente de Oliveira (em representação do Presidente da República), da Presidente da Câmara de Montemor e fez um belo discurso referindo os mais de 75 anos de História do Grupo, os mais de 380 elementos que já vestiram esta jaqueta, as suas famílias, os amigos, a grandeza da figura do Forcado Amador e como o Grupo de Montemor é uma verdadeira família, fonte de tradições, nobres valores e um verdadeiro símbolo de Montemor-o-Novo e de todo o Alentejo. Olé para este discurso!

Quanto à corrida - organizada pela empresa “Montemor éPraça Cheia” e que esteve exemplar na gestão da cerimónia da condecoração - foi cheia de emoções fortes e uma corrida de compromisso. No cartaz, os cavaleiros Rui Fernandes, Manuel Telles Bastos e João Moura Jr.. Em solitário para as pegas, o “nosso” Grupo de Montemor,frente a seis toiros da ganadaria montemorense Silva Herculano, bem apresentados, com trapio e que mostraram “muito génio”, não facilitando a vida aos artistas. Praça praticamente cheia para assistir ao espectáculo.

A abrir praça saltou a trincheira o cabo António Vacas de Carvalho, brindando a primeira pega da tarde ao Professor Valente de Oliveira. Depois de uma primeira reunião muito dura, o António foi novamente para a cara do toiro com a mesma vontade e garra, fechando-se à segunda, executando uma grande pega, com muita decisão e impacto.

No segundo da tarde, a primeira despedida: Filipe Mendes. Um forcadão! O toiro nada facilitou os momentos da reunião, investindo sempre com dureza e levantando logo a cara. Mas o Filipe não deu a batalha perdida. Concretizou a pega à terceira, mostrando aquela raça e fibra que o caracterizam como forcado. Esteve sempre muito valente e o Grupo esteve bem a ajudar a concretizar esta pega. No final, com o público totalmente entregue, deu uma merecida volta sozinho. Forcadão!

Para o terceiro da ordem, o forcado escolhido foi o João Braga. Mais uma despedida e mais uma excelente pegadeste forcadão! Investida pronta do silva herculano e o João decido a mandar até ao momento da reunião. O grupo mostrou coesão e fechou esta bela pega com muita eficácia. Merecida volta sozinho para o João. A despedida de um guerreiro!

O Manuel Dentinho saltou a trincheira para pegar o quarto toiro da ordem. Na primeira tentativa, a reunião foi menos conseguida e as coisas não resultaram. Na segunda, o Manel “emendou a papeleta” e fechou-se numa pega de belo efeito, com o toiro a tentar sacudir o forcado mas os braços já lá estavam e o Grupo ajudou muito bem, fechando a pega de forma eficaz.  

O quinto silva herculano foi pegado pelo FranciscoBissaia Barreto, jovem forcado do grupo que vai mostrando enorme maturidade, segurança, técnica e eficácia. O Francisco apanhou-me de surpresa: dirigiu-se a mim, brindando-me a pega em seu nome e em nome do Grupo de Montemor. As palavras que me dirigiu foram degrande amizade. A AMIZADE que me une a este “nosso”Grupo, reflectidas na minha simples presença junto de todos (nos vários momentos da vida desta grande instituição) e no apoio que lhes tento dar em diferentes ocasiões. Com este acto, tenho que afirmar que fiqueimuito sensibilizado e agradeço-o profundamente. É grande a minha estima e AMIZADE por todo o Grupo e por toda esta Família! Mas vamos lá à pega, que foi para isso que o António pediu para escrever: o Francisco esteve enorme em frente ao toiro, bonito no cite, mandou totalmente na investida e reuniu à córnea com muita decisão. As ajudas entraram no momento certo e com grande eficácia. Resultado: um pegão!

Para fechar esta tarde de compromisso, o escolhido foi o Francisco Borges, que entrou cheio de vontade de “vingar” o que se tinha passado nesta mesma arena em 2014. Muito elegante e alegre no cite, mandou vir o toiro quando quis e no momento da reunião as coisas não correram como desejado. O silva herculano fez um estranho, o Francisco não conseguiu reunir e foi literalmente pisado pelo toiro, ficando inanimado na arena, voltando a temer-se o pior. Graças a Deus que tudo não passou de um enorme susto e o nosso Francisco está bem e já recuperado. Valentão! A dobrá-lo perfilou-se o Frederico Caldeira. Na primeira tentativa, o toiro voltou a entrar com muita aspereza tirando da frente o forcado da cara e o grupo. Já na segunda tentativa, o Frederico teve um enorme par de braços, ficando na cara do oponente, com o grupo coeso a ajudar. O toiro “estava bruto” e ainda sacudiu alguns derrotes. Mas a pega já estava consumada. O forcado teve uma atitude de grande humildade e recusou dar volta à praça. Mas merecia!

Em resumo: uma corrida dura para o “nosso” Grupo de Montemor! Mas uma tarde onde todos mostraram enorme garra e uma grande alma, não baixando os braços perantea “dureza” dos Silva Herculano.

Nesta tarde de condecoração, festa, despedidas e compromisso, uma imagem para recordar: no final da corrida, fazendo a tradicional saída pelo centro da arena e, depois de receber as insígnias da Ordem de Mérito por parte do Presidente da República, o Grupo de Montemor ficou no centro da arena a ouvir e a cantar o Hino Nacional. Gesto de enorme grandeza.

Como disse o António no seu discurso, rezamos para que venham muitos e muitos mais anos de Glória! Um grande Olé para todos e pelo Grupo de Montemor… Venha vinho!

Montemor-o-Novo, 6 de Setembro de 2015

Miguel Soares

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