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Entrevista ao forcado Frederico Caldeira

Frederico Manzarra Picão Caldeira. Alcunha "Manzarra". 1ª Fardação em Arraiolos, a 11 de Julho de 2004. Despediu-se das arenas em 2016, mais propriamente na Praça de Toiros de Montemor, a 4 de Setembro (dia do 77º Aniversário do Grupo de Forcados Amadores de Montemor-o-Novo). De glória no activo passou agora ao estatuto de "velha glória" e, por isso mesmo, já é merecedor de entrevista!

Começamos a mesma, com as palavras que o Frederico escreveu na crónica da referida corrida de 4 de Setembro de 2016: "O segundo touro da tarde coube-me a mim pegá-lo. Não vou falar da pega, apenas queria agradecer ao grupo todos estes anos que passei e tudo aquilo que fez por mim. Muito obrigado!". Estas frases são bem reveladoras da personalidade do nosso entrevistado: dono de uma grande humildade, um verdadeiro exemplo de entrega. Resta-nos agradecer também com a maior  humildade ao "Fred", tudo o que fez envergando a jaqueta do nosso Grupo! 

Segue-se a entrevista à mais recente "velha glória" do Grupo de Montemor!

1-Como começou o teu gosto pelos toiros e, nomeadamente, pelo Grupo de Montemor?

A minha família, tanto o lado do pai como da mãe, são muito ligadas ao touro e ao cavalo. Desde que me lembro de existir que sempre gostei e fui a corridas de toiros. Mas aquele que considero ser o principal responsável foi o meu avô Jerónimo. Tinha uma enorme paixão por corridas, principalmente em Espanha, e sempre que podia leva-me, tanto a mim como aos meus primos. O GFAM surgiu mais tarde. Curiosamente o meu pai e os meus tios pertenceram ao grupo de Évora, mas por influência dos meus amigos vim parar ao grupo.

2- Com que idade e porque é que começaste a ir aos treinos?

Como referi na resposta anterior, vim por influência dos meus amigos. Na altura quem me trouxe foi o meu primo João e o Zé Maria Cortes. Vim para o grupo com 17 anos. Passava férias em São Martinho e olhava para os mais velhos do grupo que também passavam lá férias com muita admiração. Aquele típico pensamento “quando for grande quero ser como eles”…

3- Qual foi a tua primeira fardação (com que cabo)?

Fardei-me pela primeira vez em Arraiolos, no ano de 2004. Com o cabo mais careca que passou pelo GFAM (não estou a falar do cabo Chinita!!!).

4- Onde e quando pegaste o teu primeiro toiro?

Em Albufeira, cerca de um mês depois de me ter fardado a primeira vez... e dei logo a volta com o maestro João Moura! Nesse dia temos uma história bem engraçada. Pegámos seis touros, os primeiros cinco foram pegados à primeira tentativa e o último foi pegado à quarta pelo Carlos do Crato. Nesse dia, depois de uma jantarada bem regada, fomos todos para a Casa do Castelo, tudo com muitos copos em cima, menos o Carlos que estava muito “amassado” e não bebeu. Chegámos à porta e entrámos todos menos o Carlos: o porteiro disse que ele estava demasiado embriagado!! Tudo para a discoteca até às tantas e o Carlos do Crato para o carro dormir à nossa espera. 

5 - Quais foram os forcados que mais te marcaram (antigos e/ou actuais)?

O forcado que mais me marcou foi o Zé Maria Cortes, pela forma como andava em praça e por “poder” com todos os touros. Sempre gostei mais daqueles forcados de poder, que conseguem pegar tudo o que sai à praça. Quanto aos restantes, prefiro não falar em nomes, vou-me esquecer de alguns e não quero ferir susceptibilidades. Mas houve e há grandes forcados por esse país fora.

6 - Quantos toiros pegaste? Quantas épocas no activo fizeste?

Peguei 61 touros em 13 épocas.

7 - Qual o momento, ou momentos, que melhores recordações te trazem? E os menos bons?

Os bons momentos são todas as corridas de êxito que tive o prazer de viver enquanto forcado atual. As corridas de seis touros em Lisboa e todos os anos em Montemor são aquelas que é impossível esquecermos. Os menos bons são obrigatoriamente as lesões graves que sofremos, nomeadamente a do Simão da Veiga que foi no ano em que me fardei e marcou-me muito a mim e todo o grupo. Depois o que aconteceu ao Zé Maria Cortes, que não vale a pena referir... todos sabem o momento que passámos.

8 -Tens alguma história engraçada dos teus tempos de forcado que gostasses de partilhar connosco?

Tenho várias, isso é o que nunca falta a um forcado. Há uma que acho muita graça. Pegávamos um concurso de ganadarias na Arruda com o grupo de Santarém e tinha-nos calhado um touro Charrua com quase 700 Kg, o que gerou alguma apreensão após o sorteio. Quando chegámos à fardação, o Cortes virou-se para o Mendes e disse-lhe que tinha duas noticias: uma boa e uma má. Perguntou-lhe qual era aquela que ele queria ouvir primeiro. O Mendes pediu para ouvir a má, o Zé Maria disse-lhe “temos lá um touro de 700 kg para pegar”. O Mendes depois pediu a boa. A resposta dele foi: “os Charruas costumam sair bem”. Acabou por ser o Mendes a pegar o touro, saiu muito manso, ele fez um pegão e deu duas voltas à praça. Numa corrida de êxito para o grupo, onde pegámos os três touros à primeira.

9 -O que consideras que o Grupo de Montemor (e todas as pessoas que dele fazem parte), trouxeram de positivo para a tua vida?

O GFAM faz parte da minha vida de uma forma muito marcante: entrei no grupo com 17 anos solteiro e saí com 31 anos, já casado! No dia do meu casamento, sete dos meus oito padrinhos passaram pelo grupo, o que diz muito daquilo que representa para mim.

10 -Como foi o dia da tua despedida?

Foi um dia muito bonito. Muitas das vezes não percebemos que há muitos aficionados e pessoas que admiram aquilo que fazemos dentro de praça, pessoas que nem são ligadas ao nosso grupo. Guardo o reconhecimento que as pessoas me deram, a mim, ao João Pedro Pereira e ao João Romão! 

11- Porque é que tomaste essa decisão e qual é o sentimento que se vive nesse dia?

A decisão foi tomada em conjunto com a minha família. Já estava no grupo há muito tempo e como em tudo na vida há um principio e um fim. É um dia muito nostálgico. Por um lado pensava que me ia ver livres dos “bois” que tanto me magoavam, por outro sabia que ia deixar de fazer aquilo que tanto gostava. Passou-me tudo pela cabeça nesse dia, foi das poucas vezes em que nem pensei no que ia fazer à frente do touro nesse dia. 

12-Que mensagem queres deixar aos antigos, actuais e futuros forcados do Grupo de Montemor?

Aos futuros forcados, que se esforcem e façam tudo para que, um dia, mereçam vestir esta jaqueta. Aos actuais, que aproveitem ao máximo esta fase da vida e nunca se esqueçam que representam o melhor grupo do Mundo! Sempre que entram em praça, seja onde for, levam a nossa jaqueta vestida e a exigência é obrigatoriamente, máxima. Aos antigos, no qual me começo a incluir desde o final desta época, peço para irem a mais corridas... Quando pegava a primeira coisa que fazia, quando chegava a uma praça, era ir ver quais as “velhas glórias” que estavam na bancada. É muito importante para os actuais a opinião, respeito e força dos antigos elementos.


Rapidinhas:

- A tua melhor pega?

Feira da Moita.

- Ganadaria de eleição?

Murteira Grave.

- Cavaleiro de eleição?

João Moura.

- Toureiro de eleição?

El Juli.

- Praça de eleição?

Montemor.

- Um mestre?

O meu padrinho Pedro Freixo.

- Uma paixão?

 GFAM, SLB, IRC.

- Passatempo favorito?

Ver jogos de futebol, Rugby, viajar, ir ao cinema... Tenho várias formas de passar o tempo e mais houvesse.

- Clube?

Benfica.

- Filme?

Os Condenados de Shawshank.

- Prato?

Sushi.

- Destino de férias?

Tailândia.

- Terra para viver?

Lisboa não é certamente.

- Melhor grupo de forcados do Mundo? 

Deixam logo as perguntas mais difíceis para o fim? Agora assim de repente não estou a ver qual é o melhor…

Obrigado Fred! Obrigado Forcadão!

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