Nome
E-mail
Home | Notícias
Montemor-o-Novo, 6 de Maio de 2017

No passado dia 6 de Maio tivemos em Montemor a tradicional corrida da Feira de Maio, que a exemplo do ano passado, a empresa C.S. Toiros Sul deu aos aficionados o prazer de organizar.

Num dia que prometia a tão esperada chuva (que acabou por não se verificar ficando uma tarde bem agradável), a praça não encheu mas o habitual público aficionado que comparece em Montemor compôs uma casa simpática. A corrida prometia: os toiros da prestigiada ganadaria Fernandes de Castro estavam bem apresentados (embora abaixo do peso prometido…), os cavaleiros Luis Rouxinol, Filipe Gonçalves e João Salgueiro da Costa, juntamente com os Grupos de Forcados de Montemor e de Évora, prometiam um bom espectáculo. Mas já lá vamos…

Nesse dia a família do Grupo de Montemor reuniu-se na casa da Família Corrêa de Sá para celebrar o aniversário do cabo Guiga que, surpreendentemente, só fez 42 anos! Uma grande festa, com a presença de muitos antigos elementos do nosso Grupo e amigos que quiseram e puderam celebrar este dia com o Guiga que, juntamente com a família, nos recebeu muito bem, como sempre. Celebrava também o seu aniversário, o Zé Miguel Sampaio e assim pode partilhar também connosco este dia. O almoço foi do melhor, como se diz na gíria “soube a pato”…

Estava iniciada então a tarde que todos pretendíamos que fosse de triunfo para o Grupo, os forcados actuais lá foram chegando para a fardação e sentia-se algum “alivio”, provavelmente demasiado, por saberem que os toiros tinham menos 50 ou 100 kg que o esperado – um terrível engano porque nem só de peso se fazem os toiros.

Voltando à Corrida, o público entusiasmado, salta a praça o primeiro toiro, com trapio e 540kg de peso. Vinha alegre e parecia nobre embora encastado como é normal nos Castros. Após a série de compridos do cavaleiro Luis Rouxinol o toiro desembolou-se e, com comum acordo de cavaleiro, forcados e director, decidiu-se recolher o toiro e voltar a embolar. Entretanto, o cavaleiro Filipe Gonçalves toureou o segundo toiro da corrida e após a pega pelo Grupo de Évora, retornou à arena o primeiro toiro para terminar a lide. Algo inédito para mim e para todas a pessoas com quem falei e que, logicamente, diminuiu consideravelmente as condições do toiro. Deveria ter saído o toiro sobreiro pois assim comprometeu-se o resto da lide e a pega, tirando brilho e dificultando a vida aos intervenientes.

Para esta pega, o Cabo António escolheu o Manuel Dentinho, um forcado que nos últimos anos se tem colocado na primeira linha dos forcados de cara, cumprindo com valentia aquilo que lhe é pedido. Neste toiro que estava já bastante complicado devido ao supra citado, o Manel não conseguiu reunir bem à primeira tentativa, sendo prontamente derrotado. De seguida faz uma segunda tentativa com muito valor, querendo ficar na cara do toiro, aguentando alguns fortes derrotes, tendo sido derrotado cá atrás por falta de ajudas. Consumou à terceira tentativa com ajudas já carregadas.

Para a pega do segundo toiro, o que me pareceu mais encastado e com alguns toques de manso (muito fechado em tábuas e com uma cara mais “chata”), o escolhido foi o forcado João da Câmara. O João, um dos “forcados do ano” na temporada passada, tem nos últimos três anos feito umas épocas muito boas. É um grande forcado e com uma grande entrega ao nosso Grupo. Nesta tarde não esteve nos seus dias, não percebeu bem o toiro e nunca conseguiu uma reunião daquelas a que já nos habituou, e assim, porque estes toiros não permitem erros, só conseguiu consumar a pega à terceira tentativa também com ajudas carregadas.

Para o nosso último toiro, o maior da corrida com 550kg (embora estivessem todos muito homogéneos), o Cabo António Vacas de Carvalho chamou a si a responsabilidade de fechar uma corrida que não estava a correr nada bem ao nosso Grupo (ainda por cima em nossa casa, onde temos sempre o especial gosto de brindar os aficionados montemorenses com boas pegas). Assim, num clima de muita pressão, pois era a derradeira oportunidade de pegarmos um toiro como gostamos de fazer: à primeira e bonito. O António citou o toiro, fez uma excelente primeira tentativa, aguentou vários derrotes e foi com muita pena que, nas terceiras ajudas essencialmente, faltou aquela mão e o António não conseguiu fazer aquilo que todos nós gostávamos. Sem desanimar voltou a citar o toiro, reuniu soberbamente e com o Grupo a fechar bem viu-se uma grande pega. Parabéns António pelo exemplo e pela vontade!

De salientar positivamente a actuação do retornado Francisco Godinho que foi muito importante em todas as pegas. Parabéns também Francisco. Gostava também de salientar que o Grupo de facto não esteve nos seus dias a ajudar, os toiros são sérios, mesmo não tendo os 600kg que prometiam e requerem ajudas eficazes. No entanto, não é justo frisar as ajudas no geral, pois foi essencialmente cá atrás, nas terceiras, que faltou aquela mãozinha… Nada que não se corrija e é com estes momentos que aprendemos onde podemos melhorar.

O Grupo de Évora pegou os seus toiros todos à primeira tentativa, com boas pegas. De salientar o simpático brinde do cabo António Alfacinha que na provável última pega na nossa praça, brindou com amizade ao nosso Grupo. Parabéns António pela tua carreira e pelo teu gesto.

Posto isto, voltámos à nossa confraternização, continuando as celebrações iniciadas ao almoço. É verdade que uns celebraram mais do que outros, mas isso é outra história… Seguiu-se o tradicional jantar onde a família do Grupo de Forcados Amadores de Montemor se reuniu e mostrou porque somos o melhor Grupo do Mundo, também fora de praça!

Pelo Grupo de Montemor…

João Batista Pereira

A corrida em fotos:

Fotografias de Maria João Mil-Homens, a quem agradecemos a colaboração.

Voltar
com o apoio de