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Évora: noite dura e de emoções!

59ª Edição do Concurso de Ganadarias de Évora: uma das corridas com maior prestígio e importância no calendário taurino nacional. Sem dúvida, que esta não é uma corrida qualquer. É daquelas que marca a temporada, que cria uma enorme expectativa e onde há muita vontade de triunfar. Por isso, é normal que neste dia, a natural ansiedade e o nervosismo, estejam ao rubro!

19 de Maio: data de emoções duplas! Para além da corrida, foi também o dia do casamento do Manuel Dentinho, com o cabo António Vacas de Carvalho a desempenhar as “funções” de padrinho do noivo, alguns elementos a “fazer piscinas” entre o casamento e a corrida e, as funções de cabo a serem assumidas pelo Francisco Godinho, o “nosso” “Sacaio”.

A fardação foi em casa da Família Borges, com a Tia Maria do Carmo e o Tio Francisco a receberem-nos com a amizade e o carinho de sempre! Fazem-no de forma exemplar, garantindo que nada nos falta, criando um ambiente de descontração propício ao compromisso que se adivinha. O bolo de bolacha ajudou mesmo a descomprimir e fez a delícia de antigos e actuais elementos do Grupo, bem como dos amigos (e pequenotes) que compõem a família montemorense!    

Vamos à corrida:

59º Concurso de Ganadarias. Seis toiros de Condessa de Sobral, Branco Núncio, Pinto Barreiros, António Silva, Canas Vigouroux e Calejo Pires (em disputa, os prémios Bravura e Apresentação). Cavaleiros: Luís Rouxinol, Vítor Ribeiro (que reaparecia após duas temporadas de ausência) e Marcos Bastinhas. As pegas ficaram a cargo dos Grupos de Forcados Amadores de Montemor-o-Novo e Évora.

O sorteio ditou ao Grupo de Montemor, o seguinte lote: Calejo Pires, Canas Vigouroux e Pinto Barreiros.

Para a cara do primeiro toiro – um calejo pires de “cara fechada” - o escolhido foi o Francisco Barreto. O “Iko” é dono de uma arte e de uma toreria que dão gosto ver, cada vez que salta a trincheira! Fez tudo bem feito: elegância e calma no cite e uma reunião perfeita (aguentando a investida com os dois pés bem juntos no chão). O toiro fugiu ao Grupo, alterando a trajectória e derrotando bem alto. O Francisco acabou por sair, remetendo a solução para a segunda tentativa. O toiro apresentou-se ainda mais reservado, obrigando o forcado a entrar nos seus terrenos. Novamente muita calma, novamente dono da situação. O “Iko” esteve sempre com o oponente. À sua chamada o calejo pires investiu e, uma vez mais, a reunião foi perfeita, mas dura! A rápida e eficientíssima 1ª Ajuda do António Cortes Pena Monteiro foi fundamental para assistirmos a uma belíssima pega. Todo o restante Grupo esteve muito coeso, com o “Sacaio” a rabejar de forma exemplar. No final, merecidíssima volta para o “Iko” Barreto e “Tó Pena”. Olé para os dois!

Para a terceira pega da noite, saltou à praça o Francisco Maria Borges. Uma força da natureza, o “Cristiano Ronaldo” do nosso Grupo... São poucos os adjectivos para caraterizar este guerreiro. Depois do grande susto que nos pregou do Campo Pequeno, o Francisco ali estava pronto para fazer aquilo que mais gosta: pegar toiros, envergando a jaqueta do Grupo de Montemor! Pela frente, um canas vigouroux que, durante toda a lide a cavalo revelou aquilo que, posteriormente, ia mostrar na pega: uma mansidão e uma ausência de nobreza “de bradar aos céus”. Não foi a pega sonhada pelo Francisco. Nas diferentes tentativas mostrou sempre muita vontade de ficar e de fazer um pegão. Contudo, o toiro investiu sempre para fazer mal, derrotando alto ou metendo a cara por baixo, dificultando sempre a reunião. O Grupo teve também alguma dificuldade em entrar nos momentos certos, o que complicou mais as coisas. Resultado: foi à quarta tentativa, com as ajudas mais carregadas que a pega se consumou. Não tira qualquer mérito ao Francisco, pelo contrário. Manteve sempre a calma durante todas as tentativas e, nesta última, mostrou que era mesmo para ficar. O toiro voltou a "entrar com tudo" e o forcado fechou-se com muita garra, como se fosse a primeira tentativa. Francisco, és um verdadeiro exemplo do espírito do Forcado Amador e de entrega à Jaqueta Montemorense!

Para o último toiro do lote do Grupo de Montemor, saltou a trincheira o João da Câmara. Forcado de provas dadas e da 1ª linha, aceitou este desafio com um enorme “peso em cima”: em 2017, naquela mesma corrida e naquela mesma praça, arrancou uma das pegas do ano! Na primeira tentativa, o João citou com galhardia e toiro veio disparado na sua direcção. Mal deu tempo para reunir, entrando pelo Grupo dentro sempre a derrotar. Na segunda tentativa, tudo foi diferente. Com cite vistoso e alegre, o João foi caminhando para o toiro (com as distâncias à Grupo de Montemor), mandou vir o oponente e reuniu com muita determinação, aguentando depois toda a viagem e os respectivos derrotes deste difícil pinto barreiros, até a entrada eficaz das ajudas. Pega consumada!

Pelo Grupo de Évora, pegou António Torres Alves à primeira tentativa, o cabo João Pedro Oliveira à terceira (numa demonstração de enorme galhardia, força de vontade e sentido de compromisso) e Ricardo Sousa à segunda.

Como antes referi, estavam em disputa os prémios Bravura e Apresentação: o primeiro foi atribuído ao toiro de Condessa do Sobral  e o segundo ao toiro de Pinto Barreiros.

Em resumo: a noite foi dura, com toiros a pedir contas… Não pela sua bravura, mas sim pela muita aspereza e mansidão que revelaram, principalmente nas pegas. Desafio e compromisso ultrapassados, com entrega e emoção.

Agora venha o próximo desafio em Reguengos. E pelo Grupo de Montemor... venha vinho!

Évora, 19 de Maio de 2018

Miguel Soares

A corrida em fotografias (gentilmente cedidas por Maria João Mil-Homens):

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